O Bitcoin pode ser testado de um jeito mais duro em 2026: não pelo gráfico, mas pela forma como países sob sanções o usam. Essa é a tese de Gordon Grant, chefe de derivativos da Bitwise, que vê o ativo assumindo o papel de “ouro digital” em operações discretas.

O que aconteceu:

  • Grant disse que estados sancionados já estariam acumulando Bitcoin de forma reservada, numa lógica parecida com a do Irã com ouro.
  • Ele citou Irã, Rússia, Venezuela, possivelmente Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, além de países do Extremo Oriente, como China e Cazaquistão.
  • Na visão dele, o ponto central não é o preço subir em crise, mas o BTC reduzir sua relação com ações quando o estresse aumenta.

Por que importa:

  • Grant chamou isso de descorrelação condicional (quando um ativo passa a se mover menos junto com outros mercados em momentos de risco).
  • Ele lembrou que o ouro também não funcionou como porto seguro em todos os choques, mas ganhou força com o tempo.
  • Para ele, o teste real do Bitcoin é se ele consegue servir como reserva e meio de transferência quando o acesso ao sistema financeiro comum fica mais difícil.

O debate ganhou peso porque a Rússia legalizou pagamentos com Bitcoin e stablecoins no comércio exterior em 1º de julho, para contornar sanções bancárias ocidentais. A UE respondeu com um pacote que mirou 11 plataformas de cripto ligadas à Rússia e reforçou verificações nas exchanges.

Para o leitor brasileiro, isso mostra como sanções e cripto podem se cruzar no comércio global, com reflexos sobre regulação, exchanges e rastreamento de operações que passam por fora do sistema bancário tradicional.

Em números:

  • O BTC estava perto de US$ 60.347 (aprox. R$ 330 mil), com alta de 1,24% em 24 horas.
  • Seu valor de mercado era de US$ 1,21 trilhão (aprox. R$ 6,6 tri).
  • A reserva dos EUA em moedas apreendidas é de cerca de 328 mil BTC.

Iggy Ioppe, CIO da Theo, discordou do teste de curto prazo. Ele disse que o Bitcoin caiu quase 50% e, por isso, “definitivamente não funcionou” como proteção imediata neste ano. Mesmo assim, os dois concordam que a narrativa de longo prazo segue viva.