As ações da Nvidia (NVDA) seguem perto de US$ 195 e acumulam um desempenho fraco em 2026 na comparação com outras fabricantes de chips. Enquanto o ETF de semicondutores avançou quase 59% e empresas como AMD e Micron subiram mais de 100%, a Nvidia ficou praticamente estável no ano. Depois do forte desempenho em 2025, o papel caiu cerca de 18% desde o pico de junho, com recuo de 10,7% apenas naquele mês.

Parte dessa pressão veio da perda de fôlego do entusiasmo com Inteligência artificial. No fim de junho, a Reuters informou que a OpenAI pode adiar seu IPO para 2027 para preservar uma avaliação de US$ 1 trilhão. Para o mercado, esse movimento reforçou a cautela com os preços elevados do setor, especialmente no caso da Nvidia, vista como uma das principais referências da tese de IA.

O que pode mexer com o papel em julho

Nem tudo joga contra a empresa. Os Estados Unidos começaram a liberar licenças para que a Nvidia volte a vender chips H20 para a China, reabrindo um mercado relevante. Além disso, Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet divulgam seus balanços no fim de julho, e indicações de continuidade dos investimentos em IA podem sustentar a expectativa de novos pedidos para a Nvidia.

Vale observar que o balanço da própria Nvidia só deve sair no fim de agosto. Isso significa que julho tende a ser guiado mais por fatores externos do que por resultados da companhia. Se o padrão recente se repetir, o mês ainda pode trazer recuperação, já que abril e maio foram os melhores períodos de retorno após a divulgação do resultado do primeiro trimestre, feita em maio.

Indicadores mostram leitura dividida

Os sinais de fluxo e posicionamento não apontam para uma direção única:

  • O Chaikin Money Flow subiu desde 25 de junho e está em -0,01, sugerindo retorno gradual de capital, mas ainda sem confirmação de compra mais firme.
  • No mercado de opções, a relação put-call de volume caiu para 0,48, enquanto o interesse em aberto ficou em 0,82, com leve inclinação altista.
  • Em contrapartida, dados de smart money em contratos perpétuos indicam posição líquida vendida de cerca de US$ 16,7 milhões em Nvidia, o maior short entre as principais ações de chips.