A vigência da parte comercial do acordo entre Mercosul e União Europeia, iniciada em 1º de maio, recolocou no centro da discussão os pagamentos internacionais com stablecoins no Brasil. O pacto envolve 31 países, uma população combinada de 720 milhões de pessoas e um PIB estimado em US$ 22 trilhões, além de prever redução tarifária ampla entre os blocos.
Segundo estimativas da CNI, mais de 5 mil produtos brasileiros passaram a contar com tarifa zero de imediato. Nesse cenário, o aumento esperado no comércio entre os blocos tende a elevar também o volume de transferências internacionais, em um contexto no qual a infraestrutura tradicional ainda é vista como lenta e cara.
Stablecoins ganham espaço
As stablecoins são criptomoedas atreladas, em geral, a moedas oficiais como o dólar, e permitem liquidação em poucos minutos por meio de blockchain, sem depender de uma cadeia extensa de bancos intermediários. No Brasil, esses ativos já concentram a maior parte da movimentação cripto declarada.
- Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados cerca de R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos.
- Desse total, aproximadamente R$ 1,13 trilhão vieram de stablecoins, o equivalente a 71,7%.
- Em novembro de 2025, o volume declarado com stablecoins chegou a R$ 39,7 bilhões, o maior da série histórica.
- A USDT respondeu por 88,7% de todo o volume informado no período.
Banco Central endurece regras
Enquanto a demanda por pagamentos transfronteiriços tende a crescer, o Banco Central passou a restringir o uso de stablecoins nesses fluxos. A Resolução BCB 521, publicada em novembro de 2025 e em vigor desde 2 de fevereiro, enquadrou operações com stablecoins referenciadas em moeda estrangeira como operações de câmbio.
Com isso, pagamentos e transferências internacionais com esses ativos ficaram limitados a US$ 100 mil quando a contraparte não for uma instituição autorizada pelo BC. Desde 4 de maio, as instituições autorizadas também passaram a ter de reportar mensalmente essas operações ao regulador.
Em 2026, a Resolução BCB 561 ampliou esse aperto ao proibir o uso de Bitcoin e stablecoins na liquidação de pagamentos internacionais feitos por eFX, modalidade usada por fintechs para remessas ao exterior. Nessas operações, restaram como caminhos o câmbio tradicional ou contas de não residentes em reais.




