A Alphabet (GOOGL) entra na divulgação de resultados do segundo trimestre, marcada para 22 de julho, sob pressão dupla: o atraso do Gemini 3.5 Pro e a cobrança crescente sobre sua conta de investimentos em Inteligência Artificial. Depois de bater US$ 370 (aprox. R$ 2.146) em 15 de julho, o papel recuou mais de 9% entre os dias 16 e 17, com forte volume de vendas.

O que aconteceu: o mercado reagiu aos relatos de atraso na IA mais avançada da empresa. O volume de negociação chamou atenção porque sugere saída de investidores grandes, e não só do varejo.

Em números: a Alphabet projeta gastos de capital entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões (aprox. R$ 1,04 tri a R$ 1,10 tri) até 2026, ante US$ 91 bilhões (aprox. R$ 528 bi) no ano passado. No primeiro trimestre, o fluxo de caixa livre caiu pela metade, enquanto os investimentos em infraestrutura mais que dobraram na comparação anual.

Essa pressão levou a uma mudança rara na empresa. A Alphabet levantou US$ 80 bilhões (aprox. R$ 464 bi) com emissão de ações, sua primeira grande operação desse tipo em cerca de duas décadas, revertendo anos de recompras. A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, adicionou US$ 10 bilhões (aprox. R$ 58 bi) nessa captação.

Por que importa: o ponto central para Wall Street deixou de ser apenas o tamanho do investimento. Agora, a conta é outra: saber se a receita gerada por IA cresce mais rápido que a depreciação de chips e data centers, custo que vai aparecendo aos poucos no lucro ao longo de cinco a seis anos.

O Google Cloud deve ser o primeiro grande teste dessa tese. A divisão teve alta de 63% no último trimestre, com receita de US$ 20 bilhões (aprox. ), e parte do mercado espera algo perto de (aprox. ) agora. Analistas também projetam (aprox. ) de receita no trimestre e lucro por ação de (aprox. ).