A inteligência artificial já aparece nas rotinas de 92% das instituições do mercado de capitais brasileiro, segundo pesquisa divulgada pela Anbima. O levantamento ouviu 177 instituições associadas ou aderentes aos códigos de autorregulação da entidade, em parceria com o Datafolha e apoio técnico da MatchIT.
A média do primeiro Índice de Maturidade em IA do setor ficou em 2,7 numa escala de 1 a 5, nível classificado como estabilização. A maior parte das empresas está no meio do caminho: 40% aparecem em estabilização e 34% ainda estão em experimentação. Só 12% chegaram ao estágio de escala e performance, e 1% ficou em liderança.
Entre as práticas mais usadas, 72% citam ciência de dados (uso de grandes volumes de informação para encontrar padrões), 67% adotam IA generativa (sistemas que criam texto, imagem ou vídeo) e 48% usam aprendizado de máquina (modelos que melhoram com dados). Os ganhos mais relatados são aumento de produtividade, mencionado por 80% das usuárias, e automação de tarefas, com 75%.
Para quem investe no Brasil, o dado mostra que a IA já entrou na infraestrutura de gestoras, bancos, corretoras e consultorias — mas ainda com desafios de controle, transparência e supervisão.
A pesquisa também aponta diferenças por porte. Entre as empresas mais avançadas em IA, o patrimônio líquido médio sob gestão é de cerca de R$ 20 bilhões, com 378 funcionários em média. No grupo menos avançado, os números caem para aproximadamente R$ 2,3 bilhões e 99 funcionários.
A principal fragilidade está na governança. Menos de um terço das instituições diz ter governança de dados estruturada ou avançada, e apenas 12% afirmam ter políticas de uso responsável de IA em estágio consolidado ou avançado. Entre as usuárias, medem impactos de forma subjetiva, sem métricas ou registros, enquanto não acompanham resultado algum.




