David Lawant, chefe de pesquisa da Anchorage Digital, disse nesta quarta-feira (16), no Digital Asset Conference 2026, em São Paulo, que o bear market (período prolongado de queda nos preços) mais recente do Bitcoin foi mais brando que crises anteriores. A mínima citada por ele ficou perto de US$ 58 mil (aprox. R$ 319 mil).
O executivo afirmou que, embora o recuo tenha assustado parte de quem chegou agora ao mercado, a reação da indústria foi diferente. Depois de renovar a máxima histórica em US$ 126 mil (aprox. R$ 693 mil), o BTC acumulou queda superior a 50% no pior momento do ciclo.
“Muitas pessoas nesta sala já viram outros bear markets de Bitcoin e cripto, e honestamente tenho que dizer que este foi relativamente fácil comparado aos outros”, disse Lawant. Ele situou a fase de baixa entre outubro do ano passado e poucas semanas atrás, período em que, segundo ele, empresas do setor seguiram trabalhando e mantiveram interesse em áreas como stablecoins e tokenização.
Stablecoins são criptomoedas atreladas a um ativo de referência, geralmente o dólar. Tokenização é a transformação de ativos financeiros tradicionais em tokens digitais negociáveis em blockchain.
Para o leitor no Brasil, o ponto central é o risco: mesmo um ciclo descrito como mais brando ainda envolveu uma queda superior a 50% no Bitcoin.
Lawant também comparou o momento atual ao colapso da FTX, quando, segundo ele, parte do mercado chegou a questionar a própria sobrevivência da indústria cripto. Na avaliação do executivo, a queda recente separou melhor os segmentos especulativos dos ativos com tese fundamental mais clara, e o Bitcoin passou a ser tratado de forma distinta em relação ao restante do mercado.




