A Anthropic pretende abrir capital no fim de setembro ou no início de outubro e deve publicar o prospecto da oferta logo após 7 de setembro. O documento é o que costuma trazer os riscos do negócio e os números financeiros antes do início das negociações.

A operação pode incluir não só ações novas, que levantam recursos para a empresa, mas também papéis de investidores iniciais e funcionários. Esse desenho difere do usado pela SpaceX, que em junho vendeu apenas ações novas: foram 555.555.555 papéis a US$ 135 (aprox. R$ 783) cada, com os coordenadores ficando com mais 83.333.333 ações, levando a oferta a cerca de US$ 86 bilhões (aprox. R$ 498,8 bi).

No caso da Anthropic, a liberação para insiders venderem já na estreia muda a dinâmica do primeiro dia, porque aumenta a quantidade de ações disponível para compra e antecipa o retorno de quem entrou antes. A empresa também adotou ações com supervoto para fundadores, mecanismo que ajuda a preservar o controle da companhia após a listagem.

A discussão gira em torno do lockup, período em que investidores e executivos ficam impedidos de vender ações depois do IPO. A Anthropic avalia prazos mais longos do que o padrão de mercado: assim, parte dos acionistas venderia já na oferta, mas teria de esperar mais tempo antes de uma nova rodada de vendas. A preocupação existe porque uma liberação grande de ações pode pressionar o preço. Na SpaceX, cerca de 911,5 milhões de ações internas se tornaram negociáveis em 6 de agosto, elevando a fatia livre para negociação de 4,9% para 11,8% do capital, embora o papel tenha fechado aquele dia com alta de 6,1%.

A empresa informou em maio que captou US$ 65 bilhões (aprox. R$ 377 bi) e alcançou avaliação de US$ 965 bilhões (aprox. R$ 5,6 tri). Segundo a própria companhia, a rodada teve participação de Altimeter, Dragoneer, Greenoaks, Sequoia, GIC, Capital Group e Coatue. Na mesma época, a Anthropic disse que sua receita anualizada superava (aprox. ), número que ainda não foi atualizado.