Carolyn Wilkins, integrante do Comitê de Política Financeira do Banco da Inglaterra, afirmou que o crescimento das stablecoins pode reforçar o domínio internacional do dólar. Stablecoins são criptoativos desenhados para manter paridade com uma moeda, como o dólar, e são usados em pagamentos e negociações digitais.

Em discurso na Queen’s University Belfast, Wilkins disse que stablecoins denominadas em dólar podem facilitar liquidações entre países, ampliar o acesso a ativos ligados à moeda americana fora dos EUA e elevar a procura por Treasurys — os títulos da dívida pública dos Estados Unidos usados como reserva por emissores.

Segundo dados citados por Wilkins, os maiores emissores do setor já compram volumes relevantes desses papéis. O USDt (USDT), da Tether, e o USDC (USDC), da Circle, detinham quase US$ 150 bilhões (aprox. R$ 810 bilhões) em Treasurys no fim de 2025.

Ao longo do ano, essas empresas compraram cerca de US$ 33 bilhões (aprox. R$ 178 bilhões) em títulos do Tesouro americano. A leitura da autoridade é que o avanço dos “dólares digitais” pode ter efeitos que vão além do mercado cripto, atingindo a demanda por dívida dos EUA e a posição global do dólar.