A Bernstein projetou que o volume total negociado em mercados preditivos chegará a US$ 1 trilhão até o fim de 2030, ante US$ 51 bilhões em 2025, o que representa uma expansão de quase 20 vezes em cinco anos. Em valores convertidos na cotação citada pela origem, isso equivale a cerca de R$ 5,8 trilhões em 2030, contra R$ 295 bilhões em 2025. A receita do setor também deve avançar de US$ 500 milhões para US$ 10,8 bilhões no mesmo período.
Segundo a análise, o principal motor dessa alta não deve ser o apostador esportivo tradicional, mas sim o investidor institucional em busca de exposição direta a eventos econômicos, políticos e corporativos. Plataformas como Polymarket e Kalshi já atraíram nomes de peso, como a ICE, controladora da Bolsa de Nova York, que fez um aporte de US$ 1,6 bilhão na Polymarket, além da Tradeweb, que movimenta US$ 2,8 trilhões em volume diário médio, e firmas como Jump Trading e Susquehanna International Group.
O que impulsiona esse mercado
A Bernstein aponta três fatores centrais para a aceleração do setor:
- a infraestrutura descentralizada, que reduz intermediários e custos de liquidação;
- a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2024, que ampliou a visibilidade da Polymarket;
- a mudança regulatória nos EUA, permitindo que plataformas registradas na CFTC operem contratos de eventos em escala nacional.
A lógica para instituições, segundo a nota, é que contratos de evento permitem proteção mais direta contra riscos específicos do que instrumentos tradicionais, como derivativos de juros ou crédito. Em vez de montar várias posições para tentar reproduzir um cenário, empresas poderiam negociar contratos com pagamento atrelado ao evento exato que querem cobrir.
Para o leitor brasileiro, a comparação mais próxima é com contratos futuros da B3 usados para travar riscos de câmbio ou juros, embora os mercados preditivos tenham foco em eventos específicos e operem sob outra estrutura regulatória.




