A Binance abriu negociações com o Serviço de Receita da Nigéria para buscar um acordo extrajudicial em uma disputa fiscal de US$ 2 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 11,8 bilhões na cotação citada na reportagem. A informação foi confirmada em audiência no Tribunal de Alta Corte de Abuja, onde o advogado Sunday Agaji reconheceu que as tratativas estão em andamento.
Segundo a origem, o embate ganhou força após o governo de Bola Tinubu passar a atribuir às plataformas de criptomoedas parte da pressão sobre o naira em 2023 e 2024. As autoridades alegam que a Binance operava sem licença local e, em julho de 2024, a empresa foi formalmente acusada de quatro infrações ligadas ao não recolhimento de IVA e Imposto de Renda Corporativo.
Outras frentes do caso
Além da cobrança principal, a exchange enfrenta uma ação civil separada que pede quase US$ 79,5 bilhões em compensações por supostos danos econômicos causados ao país. Há também um processo criminal independente envolvendo acusação de lavagem de US$ 35,4 milhões. Em audiência realizada em 24 de março de 2026, o promotor Moses Ideho afirmou que as partes estavam explorando um acordo, e o juiz Emeka Nwite adiou o processo para 12 de maio de 2026.
- A cobrança tributária principal envolve os anos fiscais de 2022 e 2023.
- A ação civil corre separadamente diante do juiz Mohammed Umar.
- O processo criminal é conduzido pela Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros da Nigéria (EFCC).
A reportagem também destaca que a arrecadação do Electronic Money Transfer Levy (EMTL) da Nigéria subiu de US$ 133 milhões em 2024 para US$ 276 milhões nos primeiros onze meses de 2025. Para o mercado, o caso reforça a pressão sobre exchanges que atuam sem registro formal em mercados emergentes e tende a aumentar o peso do compliance local nas operações internacionais.
Para o leitor brasileiro, o episódio reforça como exigências de registro, tributação e supervisão podem afetar grandes plataformas cripto em diferentes jurisdições, tema que também dialoga com o avanço regulatório observado no Brasil.




