O Bitcoin (BTC) e o ouro recuaram depois de uma alta forte em agosto, quando os dois ativos andaram juntos em meio à busca por proteção contra a desvalorização das moedas fiduciárias. A virada veio após o discurso de Kevin Warsh, do Federal Reserve, em Jackson Hole, na sexta-feira (28).

A pressão começou no mercado de títulos. O Tesouro dos Estados Unidos anunciou que dobraria o limite de recompra para dívidas de longo prazo, para pelo menos US$ 4 bilhões (aprox. R$ 23,2 bilhões), o que estimulou a migração para ativos alternativos. Nesse ambiente, o índice global de mineradoras de ouro MSCI subiu 43% em agosto, seu melhor mês da história.

Os fluxos para fundos de índice ligados a ouro e Bitcoin também chamaram atenção: foram US$ 7 bilhões (aprox. R$ 40,6 bilhões) em cinco pregões, um recorde para esse intervalo. O ouro chegou a US$ 4.697 por onça e o BTC tocou US$ 81.354 na Binance, máxima em cerca de três meses.

Depois, os dois ativos corrigiram. O ouro caiu para perto de US$ 4.432 e o BTC recuou para cerca de US$ 77.411. Warsh reforçou o combate à inflação e disse que “a inflação está acima da nossa meta de 2%. Portanto, o foco principal do Fed neste momento deve ser nos preços”.

Para o leitor no Brasil, isso importa porque mudanças no tom do Fed costumam mexer com o preço do BTC em reais e com o apetite por risco nas corretoras locais. Se os juros nos EUA subirem, ativos sem rendimento tendem a perder parte do brilho.

A leitura da Grayscale ajuda a explicar o movimento. A gestora afirmou que a correlação de 90 dias do Bitcoin com o ouro passou de 50% neste ano, enquanto a ligação com o Nasdaq 100 caiu de mais de 60% para cerca de 33%. Para Zach Pandl, da asset, o mercado passou a enxergar o BTC como proteção monetária, não como uma aposta alavancada em ações de tecnologia.

O próximo teste será a reunião de . Se a alta de juros vier como o mercado vem projetando, a tese de proteção contra a desvalorização das moedas deve enfrentar seu primeiro obstáculo mais claro desde o início da venda de títulos.