Terremotos e outras catástrofes expõem um problema que vai além do resgate: fazer dinheiro, alimentos, remédios e abrigo chegarem rápido a quem precisa. Nesse cenário, Bitcoin e outras blockchains (bancos de dados distribuídos) começam a ser usados como infraestrutura de apoio.
Após o terremoto na Turquia e na Síria, em fevereiro de 2023, a Chainalysis identificou cerca de US$ 5,9 milhões em doações em criptomoedas para campanhas ligadas às vítimas, além de outros valores anunciados por empresas do setor. Em reais, isso dá aprox. R$ 34,1 milhões. O ponto central não foi o tamanho absoluto, mas a possibilidade de transferir recursos entre países com rapidez.
O uso não se limita a doação direta. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas opera o Building Blocks, uma plataforma em blockchain privada e permissionada para coordenar ajuda entre organizações. O sistema registra o saldo de assistência de cada beneficiário e usa biometria, como leitura de íris, na retirada de alimentos e itens em pontos credenciados.
Para o leitor no Brasil, a leitura prática é clara: em desastres, a tecnologia pode acelerar repasses, mas não elimina o risco de mau uso. Em campanhas com cripto, a transparência da blockchain ajuda a rastrear fluxos, o que interessa a quem doa e também a quem fiscaliza.
Na fase de reconstrução, entram mecanismos paramétricos. Em 2023, o Banco Mundial estruturou para o Chile uma proteção de US$ 630 milhões contra terremotos, combinando títulos de catástrofe e instrumentos de seguro. Isso equivale a aprox. R$ 3,65 bilhões. Nesse modelo, o pagamento depende de parâmetros como localização, magnitude e profundidade do tremor, sem esperar o cálculo individual de cada prejuízo.




