Em 10 de outubro do ano passado, uma manchete sobre tarifas desencadeou uma liquidação brutal no mercado cripto: cerca de US$ 19 bilhões em posições foram zerados em 24 horas. O Bitcoin caiu de mais de US$ 120 mil para perto de US$ 105 mil, e a Solana recuou 40%.
No Brasil, esse tipo de choque mostra por que alavancagem em cripto pode destruir capital muito rápido, especialmente em operações com margem e contratos perpétuos.
O impacto não ficou só nos preços. Mais de 1,6 milhão de contas foram zeradas ou quase isso, e os volumes de perpétuos em blockchain caíram por cinco meses consecutivos, de US$ 1,36 trilhão para menos de US$ 700 bilhões.
A leitura do mercado mudou depois disso. Estima-se que 38% das altcoins estejam perto das mínimas históricas, com mediana em cerca de 79% abaixo do topo do ciclo. Ao mesmo tempo, o capital deixou de tratar cripto como o único lugar para risco, já que o mercado de ações bate recordes com Inteligência Artificial.
A Hyperliquid virou o caso mais claro dessa mudança. O HYPE chegou à faixa dos US$ 20 no inverno, bateu novo recorde acima de US$ 77 em junho, com mais de US$ 650 milhões em receita anual, e passou de US$ 12 bilhões em valor de mercado.
Já o dinheiro especulativo migrou em parte para outro tipo de aposta. Em vez de buscar só novas altcoins, o mercado passou a negociar Tesla, Apple, Nvidia, ouro, prata e índices em contratos perpétuos 24/7, usando a mesma estrutura de margem em USDT. Nos primeiros cinco meses de 2026, essas exchanges movimentaram US$ 1,32 trilhão nesses contratos, contra US$ 104 bilhões em todo o ano de .



