Uma carteira de Bitcoin pagou 1,60 BTC em taxas de rede, equivalentes a aproximadamente US$ 102.778 (aprox. R$ 581 mil), sem enviar moedas ao destinatário. A transação foi confirmada no bloco 962.142, no dia 12.

O que aconteceu: os registros mostram uma entrada de 160.343.885 satoshis, a menor unidade do Bitcoin. Os mineradores receberam todo o valor, enquanto a única saída da transação tinha saldo zero.

Por que importa: o remetente usava um script automático com Replace-by-Fee (RBF), recurso que permite reenviar uma transação ainda não confirmada com uma taxa maior para aumentar sua prioridade no mempool, a fila de transações da rede. O sistema elevou a taxa uma vez por segundo, sem respeitar um limite, até consumir toda a entrada.

Para usuários no Brasil, a perda seria de cerca de R$ 581 mil antes de considerar eventual declaração tributária. Uma taxa máxima configurada na carteira poderia ter interrompido o ciclo.

A SpiderPool, responsável pela mineração do bloco, ficou com o valor. As taxas totais do bloco somaram aproximadamente 1,82 BTC, o que significa que essa única falha representou 88% do total. A cotação do Bitcoin estava próxima de US$ 63.770 (aprox. R$ 360 mil), com queda de 0,2% em 24 horas.

Três medidas reduzem esse risco: desativar o aumento automático via RBF, estabelecer um teto de satoshis por byte e testar o sistema com alguns milhares de satoshis antes de movimentar quantias maiores. A automação deve receber o mesmo cuidado dedicado às palavras-semente, já que um script sem supervisão pode esgotar uma carteira rapidamente.