O XRP negociava na faixa de US$ 2,30, cerca de R$ 13,34, quando Yoshitaka Kitao, CEO da SBI Holdings, afirmou que o ativo “ficará muito caro” caso a Ripple tenha um desfecho favorável no litígio com a SEC nos Estados Unidos. A declaração chamou atenção porque partiu do comando do maior conglomerado financeiro privado do Japão, com mais de US$ 400 bilhões em ativos sob gestão, e de uma instituição que é a maior acionista institucional não americana da Ripple, com fatia estimada entre 5% e 7%.
A leitura do mercado vai além do comentário de um executivo. A SBI lançou um título corporativo de 10 bilhões de ienes, aproximadamente R$ 387 milhões, com rendimentos pagos em XRP, descrito como o primeiro produto do tipo emitido por uma grande instituição financeira japonesa. Segundo a origem, o papel foi aprovado pela FSA, tem auditoria da Deloitte Japan, prazo de três anos, aporte mínimo de 10 milhões de ienes e rendimento anualizado de 2% a 4%, pago semestralmente.
O que sustenta a tese
- A SBI Holdings e a Ripple mantêm parceria desde 2016 por meio da SBI Ripple Asia.
- A joint venture atua em corredores de pagamento com XRP no Japão, Coreia do Sul, Índia e Filipinas.
- A carteira corporativa de XRP da SBI teria crescido 25% ao longo de 2025, superando 2,5 milhões de tokens, segundo dados on-chain citados pela origem.
- Em janeiro de 2026, a SBI Ripple Asia anunciou 5 bilhões de ienes para financiar mais de 20 startups com aplicações DeFi sobre o XRP Ledger.
- O stablecoin RLUSD, da Ripple, recebeu aprovação preliminar da FSA em janeiro de 2026 e tem lançamento previsto para o segundo trimestre de 2026 na exchange VC Trade, da SBI.
Na avaliação apresentada, o ponto central é que esse tipo de produto pode gerar demanda recorrente por XRP, já que os pagamentos de juros exigiriam compras do token para liquidar obrigações com investidores credenciados. Ao mesmo tempo, Kitao indicou que a resolução do processo contra a SEC seria o principal gatilho para uma mudança mais ampla no preço, por potencialmente remover a maior barreira regulatória à entrada de grandes gestoras americanas em produtos ligados ao XRP.
Para o leitor brasileiro, o caso mostra como decisões regulatórias e produtos financeiros aprovados por autoridades podem influenciar a demanda por criptoativos, tema que também importa no Brasil em discussões sobre regras de mercado, atuação de corretoras e supervisão de órgãos como a CVM e o BCB.



