O CLARITY Act não avançou no Senado dos EUA após fracassar em uma votação processual na terça-feira. A ação da Circle Internet Group (CRCL) caiu 11,61%, para US$ 86,11 (aprox. R$ 456) às 15h42, pelo horário de Brasília.

A etapa em questão era o pedido de encerramento dos debates, conhecido como cloture (procedimento usado para levar uma proposta adiante). Eram necessários 60 votos entre 100 senadores; com 41 votos contrários, o projeto ficou bloqueado antes de chegar ao plenário.

Formalmente chamado de Digital Asset Market Clarity Act, o texto buscava dividir a supervisão federal de ativos digitais entre a SEC e a CFTC. A Câmara já havia aprovado a proposta em 2025, e Cynthia Lummis, John Boozman e Tim Scott lideravam a articulação no Senado.

A resistência veio de parte dos democratas que negociavam o projeto, além de associações bancárias, 18 procuradores-gerais estaduais e da senadora Elizabeth Warren. Eleanor Terrett, apresentadora do podcast Crypto America, afirmou no X que nomes como Gillibrand, Warner, Booker, Warnock, Gallego, Alsobrooks e Cortez Masto votaram “não” e relatou a mensagem de um executivo do setor: “Morreu.”

Sem a lei, exchanges (plataformas de compra e venda de criptoativos) e emissores de tokens seguem tendo de lidar ao mesmo tempo com as duas agências reguladoras. A Circle, responsável pelo USDC — stablecoin, ou moeda digital criada para acompanhar o valor do dólar — era vista por investidores como uma das empresas mais sensíveis ao avanço de regras federais mais claras.

Para quem acompanha cripto no Brasil, o efeito é indireto: decisões regulatórias nos EUA podem mexer com empresas, stablecoins e ativos negociados também por investidores brasileiros, mesmo sem alterar as regras locais da CVM ou do BCB.

A derrota não encerra definitivamente a tramitação. Líderes do Senado ainda podem marcar uma nova votação de cloture, embora não haja obrigação de fazer isso ainda neste ano.