A CoinShares afirma que a mineração de Bitcoin vive um dos momentos mais difíceis desde o halving de 2024 — o evento que corta pela metade a recompensa paga aos mineradores por bloco. O principal sinal é a queda prolongada do hashrate, a potência computacional usada para proteger e processar transações na rede.

Segundo a gestora, ciclos anteriores mostram um padrão parecido: depois dos halvings de 2012, 2016 e 2020, o hashrate chegou a ficar cerca de 50% abaixo da tendência nos seis meses seguintes. No primeiro semestre de 2026, o setor registrou a primeira queda de seis meses desde o banimento da mineração na China, no primeiro semestre de 2021. A expectativa dos analistas é que a atividade volte a ganhar força conforme o halving de 2028 se aproximar.

O relatório também aponta aperto nas margens. O Bitcoin era negociado perto de US$ 76.200 (aprox. R$ 419 mil), em queda de 3,3% em 24 horas, enquanto o custo médio ponderado antes de impostos para produzir 1 BTC entre mineradoras listadas ficou em torno de US$ 75.500 (aprox. R$ 415 mil) no segundo trimestre de 2026. Em algumas empresas, o custo supera o preço de mercado da criptomoeda.

A pressão não vem só da conta de luz. A CoinShares cita despesas com eletricidade, vendas, administração, depreciação, amortização, impostos, dívida e remuneração baseada em ações. Algumas mineradoras conseguem subsídios de energia, mas a estrutura de custos varia bastante de uma companhia para outra.

O outro ponto central é a migração para inteligência artificial e HPC (computação de alto desempenho, usada para processar grandes volumes de dados). Converter infraestrutura de mineração para instalações voltadas à IA custa entre US$ 8 milhões e US$ 15 milhões por MW (aprox. R$ 44 milhões a R$ 82,5 milhões), bem acima dos US$ 0,7 milhão a US$ 1 milhão por MW (aprox. a ) necessários para mineração.