A Coldcard admitiu que a falha ligada à geração de seeds inseguras alcança mais modelos do que havia dito antes. Depois de relatos de perdas de R$ 38,5 milhões em Bitcoin, a empresa informou nesta sexta-feira (31) que os modelos Mk4, Mk5 e Q também foram afetados, além do Mk3.

O que aconteceu: segundo a empresa, uma combinação “complexa e sutil” de bugs impediu que o RNG de hardware (gerador de números aleatórios) contribuísse com aleatoriedade em certas versões do firmware. A Coldcard disse que não conhecia o problema até agora e afirmou que mudanças feitas no Mk4 adicionaram entropia dos componentes SE1 e SE2, o que reduziu parcialmente o impacto nos modelos mais novos, mas sem chegar ao nível planejado de 128 bits de segurança.

Em números: a empresa afirmou que o Mk3 ficou com 40 bits de segurança efetiva, abaixo dos 128 bits esperados. Já os modelos Mk4, Mk5 e Q teriam 72 bits, por combinarem valores de TRNG (gerador verdadeiramente aleatório) com PRNG (gerador pseudoaleatório). O ataque relatado anteriormente envolveu 594 bitcoins.

A Coldcard disse que a falha existe desde 2021, quando migrou suas operações de curva elíptica para a biblioteca libsecp256k1 do Bitcoin Core, processo que exigiu a adição da biblioteca libNgU. Ao explicar o erro, a empresa resumiu: “A escolha criptográfica foi correta. A integração não foi”. Também declarou que seu código sempre foi aberto e levantou a hipótese de que invasores tenham usado ferramentas de IA para revisar versões antigas do firmware e encontrar a vulnerabilidade.

Como corrigir: a orientação da empresa é atualizar o dispositivo e só depois gerar uma seed nova. Para o Mk3, a recomendação é instalar o firmware 4.2.0 ou superior. Para e , a Coldcard lançou o firmware . No modelo , a correção veio na versão . A empresa também orienta registrar o novo backup, conferir a fingerprint da carteira, testar com uma transação pequena e manter o backup antigo até a migração ser concluída.