Changpeng “CZ” Zhao, fundador da Binance, disse que a transferência de cerca de 400 milhões de tokens de terceiros, avaliados em US$ 1,6 milhão (aprox. R$ 8,8 milhões), para um endereço de queima não teve relação com apoio a memecoins nem com manipulação de mercado. Segundo ele, a operação serviu para eliminar ativos spam que se acumulavam em sua carteira pública.

O que aconteceu: os tokens foram enviados para o endereço 0x000000000000000000000000000000000000dEaD, uma carteira sem chave privada acessível. Na prática, isso retira os ativos de circulação de forma permanente. Depois que pesquisadores on-chain (análise pública de transações no blockchain) destacaram as transferências, surgiram especulações na comunidade cripto, mas CZ respondeu no X que apenas fazia uma limpeza de rotina.

CZ afirmou que não acessava aquela carteira havia muito tempo e encontrou “dezenas de milhares” de tokens, o que teria deixado a interface difícil de usar. Ele também sugeriu que projetos mandem esses ativos diretamente para o “buraco negro”, em vez de enviá-los ao seu endereço primeiro.

Por que importa: o episódio expõe uma prática antiga no mercado. Criadores de projetos enviam tokens para carteiras conhecidas em busca de visibilidade gratuita. Um caso parecido ocorreu com Vitalik Buterin em 2021, quando a equipe da Shiba Inu enviou parte do suprimento ao cofundador do Ethereum sem pedido prévio; ele queimou 90% dessas moedas e pediu que os desenvolvedores parassem com esse tipo de ação.

Em números: dados da Arkham mostram que a carteira de CZ recebe ativos indesejados há anos. Nos últimos 12 meses, ele já descartou mais de US$ 6,24 milhões (aprox. R$ 34,3 milhões) em tokens spam.

Para o leitor brasileiro, o caso ajuda a mostrar como memecoins e tokens enviados sem solicitação podem inflar ruído no mercado. Esse tipo de ativo costuma ter volatilidade extrema e pode estar ligado a esquemas de pump-and-dump ou rug pull, em que muita gente perde quase tudo.