A DTCC, uma das principais infraestruturas do mercado financeiro global, anunciou nesta quarta-feira (15) sua entrada no mercado de tokenização. O teste piloto deve começar em outubro e reunir cerca de 40 instituições, entre elas BlackRock, JPMorgan, Vanguard, NYSE e Goldman Sachs.
O que aconteceu: A empresa disse que quer levar a tokenização da fase de conceito para uso real em escala. No anúncio, a DTCC destacou que o JPMorgan tokenizou o ETF Invesco QQQ Trust (QQQ) e citou também uma parceria com a Microsoft para modernizar a infraestrutura digital do mercado.
Como vai funcionar: O projeto inclui a tokenização de ações e até de títulos do governo americano como RWA (ativos do mundo real convertidos em formato digital). Segundo a DTCC, o modelo adotado pelo programa busca manter as mesmas proteções legais e os mesmos direitos das ações comuns, em vez de apenas replicar o desempenho do ativo em versão digital.
Frank La Salla, presidente e CEO da DTCC, afirmou ao The Wall Street Journal que “a tokenização de ativos e uso de blockchains digitais são uma megatendência”. Segundo ele, o foco está na segurança do sistema, na resiliência e em formas de destravar liquidez com a nova tecnologia.
Em números: Segundo Eric Balchunas, da Bloomberg, a DTCC mantém mais de US$ 114 trilhões (aprox. R$ 661,2 trilhões) em títulos sob custódia, e suas subsidiárias processaram US$ 4,7 quadrilhões (aprox. R$ 27,3 quatrilhões) em transações de valores mobiliários no ano passado. Para ele, a iniciativa é “enorme”, embora a migração para um mercado tokenizado não deva ocorrer de uma vez.
Balchunas afirmou ainda que as conversões devem ocorrer na Hyperledger Besu, solução privada da DTCC, e na Canton, uma rede pública. Segundo ele, isso faz parte de uma estratégia multichain (uso de mais de uma blockchain) para ampliar resiliência, escalabilidade e opções de escolha.




