Os Estados Unidos concentram 141% mais ouro que o BRICS ampliado quando entram na conta as reservas estrangeiras mantidas sob custódia (guarda de ativos por terceiros) no Federal Reserve de Nova York, segundo estudo de J. P. Mayall. O bloco de 10 países reúne cerca de 6.000 toneladas, enquanto o total sob custódia americana chega a 14.464 toneladas.
Bancos centrais mantêm aproximadamente US$ 4 trilhões (aprox. R$ 23,2 trilhões) em ouro, mas possuem US$ 9,3 trilhões (aprox. R$ 53,9 trilhões) em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. Para Mayall, os dados não sustentam a ideia de que os países estejam abandonando o dólar: desde 2022, os bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro por ano, mas a dívida americana em mãos estrangeiras permanece perto do recorde.
A análise cita movimentos recentes de França, Índia, Holanda e Turquia. A França retirou 129 toneladas de ouro do Fed, enquanto sua exposição aos Treasuries alcançou US$ 395 bilhões (aprox. R$ 2,3 trilhões) entre julho de 2025 e janeiro de 2026. A Índia repatriou 104 toneladas, mas ainda mantinha US$ 465 bilhões (aprox. R$ 2,7 trilhões) em títulos, majoritariamente americanos. A Turquia, por sua vez, vendeu cerca de 70 toneladas em um trimestre para conter a desvalorização da lira.
Para o Brasil, o estudo afirma que a exposição a Treasuries é nove vezes maior que a quantidade de ouro mantida pelo país.
A China também aparece como exemplo da diferença entre ouro e dívida americana: mesmo após 21 meses seguidos comprando o metal e uma década reduzindo sua posição em títulos dos EUA, o país ainda teria o dobro de exposição à dívida americana em relação ao ouro. O levantamento acrescenta que o Brasil mantém nove vezes mais Treasuries do que ouro, enquanto o Reino Unido chega a 21 vezes e o Japão, a nove vezes.




