Os três principais blocos citados no debate global sobre stablecoins escolheram caminhos distintos para a mesma tecnologia. Os EUA decidiram acelerar a regulação, a Europa apertou o cerco e o Brasil elevou custos e restrições para o uso desses ativos, que funcionam como versões digitais de moedas como dólar, euro e real em blockchain.
Por que importa: a forma como cada país classifica e regula stablecoins pode definir quem ganha espaço na próxima fase dos pagamentos digitais. Não se trata só de regra técnica: a disputa envolve soberania monetária, controle sobre remessas e a influência internacional de moedas como o dólar e o euro.
Nos EUA, o marco mais importante foi o GENIUS Act, promulgado em 18 de julho de 2025, criando a primeira estrutura federal para “payment stablecoins”. A lógica é direta: apenas emissores autorizados podem emitir. Em paralelo, o CLARITY Act avançou na Câmara em julho de 2025 e passou por comitê do Senado por 15 a 9 em maio de 2026, mas travou antes do recesso. O movimento, porém, veio acompanhado de controvérsia: o disclosure de 1º de julho de 2026 mostrou que cripto foi a maior fonte de renda de Donald Trump em 2025, somando mais de US$ 1 bilhão (aprox. R$ 5,8 bi) com a meme coin $TRUMP e tokens da World Liberty Financial. A stablecoin USD1 já supera US$ 2 bilhões em circulação (aprox. R$ 11,6 bi).
Na Europa, a abordagem foi outra. Com o MiCA já em vigor para stablecoins desde 2024, o fim do período de transição em 1º de julho de 2026 deixou claro que apenas ativos autorizados como e-money tokens, como USDC e EURC, podem circular nos mercados regulados do Espaço Econômico Europeu. O efeito atingiu em cheio a USDT, hoje com cerca de US$ 184 bilhões (aprox. R$ 1,07 tri): ela foi deslistada de Coinbase, e no bloco, e seu volume nas plataformas europeias caiu mais de , enquanto o da quase dobrou, segundo a . O CEO da , , disse que não pediria licença sob o MiCA e criticou a exigência de manter parte relevante das reservas em bancos.




