O governo dos EUA sancionou nesta terça-feira (29) a Hormuz Safe Marine Services Authority e a Persian Gulf Marine Insurance Company, apontadas como peças de um esquema ligado ao Irã para cobrar taxas em Bitcoin e outros ativos digitais de navios que cruzavam o Estreito de Ormuz. Segundo o Tesouro americano, a prática funcionava como extorsão contra embarcações em uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

O que aconteceu: a Hormuz Safe Marine Services Authority foi descrita pelos EUA como uma empresa iraniana de seguros digitais que oferecia serviços marítimos, como seguros, controle de tráfego, segurança e resposta a emergências. De acordo com o governo americano, a empresa foi desenvolvida pelo Ministério da Economia do Irã e aceitava pagamentos em Bitcoin e outros ativos digitais para ajudar o regime a contornar sanções do Ocidente.

Quem mais foi alvo: a Persian Gulf Marine Insurance Company também entrou na lista de sanções por atuar como corretora e emissora de apólices de seguro aprovadas pelo regime iraniano. As medidas ainda atingem navios da chamada “frota clandestina” do país e outras empresas do setor petroleiro usadas, segundo Washington, para transportar petróleo ilegalmente.

Em números: há duas semanas, os EUA já haviam confiscado US$ 130 milhões (aprox. R$ 715 milhões) em criptomoedas do Banco Central iraniano. Ao anunciar as novas sanções, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos não vão permitir que o Irã use o transporte marítimo internacional para financiar “terrorismo, agressão e repressão” promovidos pela IRGC.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra como Bitcoin e outros criptoativos também entram no radar geopolítico e de sanções internacionais, com impacto potencial sobre preços, liquidez e fiscalização em mercados do mundo todo.