O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar suposta interferência estrangeira nas eleições, incluindo anúncios pagos que usaram estimativas da Polymarket e teriam beneficiado a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o Livecoins, a decisão publicada pela Agência Brasil na terça-feira (27) cita apurações sobre os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang em tratativas atribuídas à organização norte-americana Rockbridge Network. O processo analisa indícios de aporte financeiro externo e publicidade contratada por perfis sediados fora do Brasil.

As postagens sob suspeita exibiam projeções eleitorais da Polymarket, plataforma de previsões baseada em criptomoedas que está proibida de operar ou divulgar serviços no Brasil desde abril de 2024. A representação reproduzida por Dino afirma que perfis estrangeiros publicaram anúncios em português promovendo apostas sobre a eleição brasileira e conteúdos favoráveis ao candidato do PL.

A PF deverá identificar quem contratou os anúncios, qual foi a origem dos recursos e se integrantes da campanha ou entidades brasileiras tinham conhecimento ou participação no caso. O ministro também mandou investigar eventual relação entre o suposto apoio eleitoral estrangeiro e interesses na exploração de terras raras e minerais críticos no país.

A defesa de Tallis Gomes disse à Agência Brasil que o empresário não exerce função na Rockbridge Network, no Brasil ou no exterior, e que nunca doou, arrecadou ou intermediou recursos nacionais ou estrangeiros para campanhas. A nota também informou que serão tomadas medidas judiciais contra Renan Santos.

O STF determinou a notificação do Banco Central, da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de outros órgãos públicos, sobre a decisão.