As stablecoins em dólar podem aliviar a falta de acesso à moeda estrangeira em economias com câmbio fixo ou fortemente controlado. Mas, segundo um estudo do FMI, elas também podem intensificar corridas cambiais quando a pressão sobre a moeda local dispara.

O que aconteceu: o documento foi assinado pelo economista Brandon Joel Tan e recebeu o título Stablecoins and Fragility in Fixed Exchange Rate Regimes. O trabalho modela como essas moedas digitais afetam mercados paralelos de câmbio quando o acesso oficial ao dólar é limitado.

Por que importa: o estudo conclui que as stablecoins podem ajudar a população a conseguir dólares quando bancos e casas de câmbio não dão conta da demanda. Ao mesmo tempo, em uma crise cambial, o preço de uma mesma stablecoin, acompanhado por muita gente ao mesmo tempo, pode servir de gatilho para uma saída coordenada da moeda nacional.

Próximo passo: o texto sugere que reguladores podem considerar limites temporários para transações excepcionalmente grandes ou movidas por pânico em períodos de forte estresse cambial.

Para o leitor brasileiro, o debate encosta em temas como supervisão de criptoativos por BCB e CVM, especialmente em cenários de pressão sobre o câmbio e busca por proteção em dólar.