O GAFI publicou nesta semana um relatório de 65 páginas em que defende o avanço de parcerias público-privadas para enfrentar lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e outros crimes financeiros. Segundo o órgão, a digitalização do dinheiro tornou as transações internacionais mais rápidas e mais complexas, o que exige cooperação maior entre autoridades e empresas.

O que aconteceu: o levantamento identificou pelo menos 84 parcerias público-privadas no mundo. Desse total, 58% são formais, com exemplos no Reino Unido, Singapura e Peru, enquanto 42% funcionam de forma informal, como em Seicheles, Botsuana e Gana.

Por que importa: o relatório diz que essas parcerias já ajudam a alcançar resultados que não seriam possíveis sem compartilhamento de informações. Ao mesmo tempo, o combate a crimes financeiros esbarra em regras de proteção de dados e privacidade (52%), sigilo bancário (45%), ambiguidade legal e falta de canais de comunicação (41%) e incompatibilidades legais entre países (33%).

No recorte por maturidade, o GAFI afirma que países como Chipre e Nigéria ainda estão em fase inicial, focados em criar canais de comunicação e confiança. Na outra ponta, Reino Unido e Austrália já conduzem operações internacionais. Entre esses extremos, aparecem modelos com governança mais formalizada, como os de Peru e Gana, além de estruturas com retorno de feedback entre as partes, caso de Singapura e Itália.

Cripto: o documento cita iniciativas específicas para o setor, como o Public Private Crypto Forum (PPCF), no Reino Unido, e o J5 Cyber/Crypto Challenge, com participação de EUA, Austrália, Canadá, Países Baixos e . O relatório também alerta que pequenas corretoras de criptomoedas, chamadas de ou (prestadores de serviços de ativos virtuais), podem não ter estrutura para participar dessas parcerias. Para o , essa assimetria prejudica a qualidade e a consistência das informações compartilhadas e abre lacunas na detecção de atividades suspeitas.