Raphael Zagury, CEO da Twenty One Capital, disse que o Goldman Sachs financiou uma fintech brasileira que concedia crédito pessoal sem garantia, mas recusou discutir uma linha lastreada em Bitcoin. Segundo ele, a proposta nem chegou ao comitê executivo do banco.

Zagury contou ao podcast Coin Stories, de Natalie Brunell, que a mesa do banco concordou com os pontos técnicos apresentados sobre o risco da operação. O problema, segundo o relato, era a palavra Bitcoin: o ativo encerraria a conversa antes de qualquer número ser analisado. Colateral é a garantia dada em um empréstimo; nesse caso, o BTC poderia ser vendido rapidamente se o tomador não pagasse.

Para J. P. Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, o episódio expõe a diferença entre risco real e “risco de etiqueta” no sistema bancário. Ele afirma que, em 2025, caíram várias exigências de supervisão nos Estados Unidos, mas a regra de capital continuou como trava: “A primeira encarece, porque o banco precisa reservar capital próprio quase do tamanho da posição em Bitcoin. A segunda limita, porque existe um teto de quanto ele pode carregar em cripto”.

A regra citada é o SCO60, padrão do Comitê de Supervisão Bancária de Basileia em vigor desde 1º de janeiro de 2026. O texto coloca Bitcoin sem hedge reconhecido no Grupo 2b, com risk weight de 1.250% — em português simples, um peso de risco tão alto que obriga o banco a separar capital quase equivalente ao valor da exposição. Também há limites: acima de 1% do capital Tier 1, o excedente recebe tratamento mais pesado; acima de 2%, toda a carteira de criptoativos do Grupo 2 passa a receber esse tratamento.

Para o leitor no Brasil, o caso ajuda a entender por que crédito com Bitcoin em garantia ainda depende menos de tecnologia e mais do apetite de bancos, reguladores e estruturas como CCB, CVM e regras prudenciais.

Nos Estados Unidos, , e ainda não implementaram uma regra específica para criptoativos nos moldes do . Em , os órgãos apresentaram propostas de recalibragem de capital para outros tipos de exposição, mas deixaram cripto de fora; o prazo de comentários terminou em . Mayall avalia que uma definição deve sair ainda em , embora os limites de exposição continuem restringindo o tamanho das operações mesmo se houver sinal verde.