A internet pode estar entrando numa fase em que a resposta vale mais que o clique. Com a IA embutida em buscadores, navegadores e assistentes, o usuário recebe um resumo pronto e muitas vezes não precisa mais visitar a página que produziu a informação.
O que aconteceu: Esse movimento, chamado de Google Zero por Nilay Patel, do The Verge, mexe no acordo que sustentou a economia da web por mais de duas décadas. Até aqui, sites aceitavam ser rastreados por crawlers (robôs que percorrem e indexam páginas) em troca de visibilidade e visitas, que depois podiam virar publicidade, assinaturas, vendas ou reputação.
Por que importa: A IA melhora a experiência de busca ao comparar fontes, resumir documentos e organizar grandes volumes de informação. O problema está no retorno financeiro. Reportagens, estudos, análises e documentação técnica continuam sendo usados por esses sistemas, mas o caminho tradicional de monetização pode desaparecer quando o conteúdo vira matéria-prima de uma resposta pronta.
A discussão também mudou de nível. Já não se trata só de permitir ou bloquear rastreadores no robots.txt, arquivo que orienta o acesso desses robôs. Há diferenças entre o rastreamento para indexação em mecanismos de busca, a coleta de dados para treinar modelos de IA e o uso de agentes que acessam conteúdo em tempo real para responder perguntas. Cada caso envolve interesses e formas de remuneração diferentes.
Como a blockchain entra nisso: A proposta não é colocar textos e arquivos dentro da blockchain, o que seria caro e ineficiente. A ideia é usar essa tecnologia como camada de registro e confiança: identificar quem criou um conteúdo, quais são as regras de uso e como o valor gerado pode ser repassado. Nesse desenho, DIDs (identidades digitais verificáveis) poderiam vincular publicações a jornalistas, universidades, empresas ou pesquisadores, enquanto o Ethereum Attestation Service (EAS) serviria para registrar autoria, licença e vínculo com uma organização.
Redes como IPFS e Arweave aparecem como opções para armazenar arquivos de forma distribuída, enquanto a blockchain ficaria com a coordenação e a execução das regras econômicas.




