A ICE informou um novo aporte de US$ 600 milhões na Polymarket, plataforma de mercados de predição criada em 2020. O investimento faz parte de um acordo de financiamento de até US$ 2 bilhões firmado entre as empresas, após uma primeira tranche de US$ 1 bilhão desembolsada em outubro de 2025. Além disso, a companhia sinalizou a possibilidade de comprar até US$ 40 milhões em títulos da Polymarket no mercado secundário.
A Polymarket opera na blockchain Polygon e usa USDC como moeda de negociação. A empresa ganhou relevância institucional depois de registrar mais de US$ 3,3 bilhões em volume apenas em contratos ligados às eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024. Em maio de 2024, a plataforma havia captado US$ 45 milhões a uma valuation de US$ 1 bilhão, número que depois subiu para uma faixa implícita entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões nos termos ligados à entrada da ICE.
Pressão regulatória e disputa de mercado
Apesar do crescimento, a plataforma já enfrentou entraves com reguladores. Em 2022, pagou multa de US$ 1,4 milhão à CFTC por operar swaps não registrados, o que levou ao bloqueio de usuários norte-americanos e ao foco em mercados internacionais. Ainda assim, a rodada reforça a leitura de que grandes grupos do mercado tradicional veem os prediction markets como um segmento com potencial de escala.
Segundo as informações citadas na reportagem, tanto a Polymarket quanto a rival Kalshi estudam captações que poderiam levar suas avaliações a até US$ 20 bilhões. No caso da ICE, o movimento sugere uma estratégia mais ampla para ganhar posição em uma infraestrutura baseada em blockchain pública, mas com ambição de operar em padrões próximos aos do mercado financeiro tradicional.
Para o leitor brasileiro, o caso mostra como plataformas cripto podem ganhar tração institucional mesmo sob pressão regulatória, tema que também pesa no Brasil quando o mercado discute supervisão, compliance e integração com regras locais.




