Quinze grandes investidores institucionais mantiveram suas posições em criptoativos durante uma queda de cerca de 50% entre outubro de 2025 e abril de 2026. Alguns chegaram a aumentar a exposição, segundo entrevistas conduzidas pela Bitwise, gestora que administra mais de US$ 9 bilhões (aprox. R$ 52,2 bilhões) em ativos de clientes.
O grupo reúne fundos patrimoniais universitários, fundos de pensão, fundos estatais, family offices (estruturas que administram o patrimônio de famílias) e companhias de capital aberto. Todos os participantes que tinham criptoativos mantinham Bitcoin (BTC). A maior parte via o ativo como reserva de valor, muitas vezes ao lado do ouro.
As instituições disseram que não venderiam apenas por causa de uma queda de preço. A saída ocorreria caso a tese de investimento fosse invalidada por uma mudança regulatória ou por um escândalo capaz de afetar todo o setor. Ethereum e Solana, por outro lado, aparecem como apostas tecnológicas mais seletivas, sujeitas à venda se não demonstrarem uso prático nos próximos anos.
As posições variavam de 0,5% a 13% do portfólio investível, mas se concentravam principalmente entre 1% e 2%. Quase todos os entrevistados já utilizavam ou planejavam usar ETFs à vista de Bitcoin, fundos negociados em bolsa que mantêm o ativo diretamente.
Para o investidor no Brasil, os dados mostram como instituições estrangeiras tratam o BTC dentro de uma carteira diversificada, mas não eliminam riscos de volatilidade nem substituem a análise das regras locais.
Documentos públicos contam uma história menos uniforme. O fundo patrimonial de Harvard reduziu em 43% sua participação em um ETF de Bitcoin no primeiro trimestre de 2026, enquanto dois fundos estatais de Abu Dhabi mantiveram todas as suas ações IBIT durante a queda do segundo trimestre. O Bitcoin era negociado próximo de US$ 84.534 (aprox. R$ 490,3 mil) no momento da reportagem, e a Bitwise projetava que a maioria das instituições continuaria com criptoativos pelos cinco anos seguintes.



