O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos passou de 5% nesta segunda-feira e igualou seu maior patamar em três anos. A taxa também registrou nova máxima em 52 semanas, segundo a CNBC.

Quando o juro desse título sobe, o custo de empréstimos tende a aumentar em toda a economia. Para o mercado, o efeito é direto: papéis do governo americano, vistos como de baixo risco, passam a competir com mais força contra ações e ativos como o Bitcoin (BTC).

Antony Ghee, chefe de investimentos em ações do chief investment office do Merrill e do Bank of America Private Bank, classificou uma alta sustentada acima de 5% no título de 10 anos como a “maior preocupação de curto prazo para as ações”, segundo o The New York Times. Juros maiores também encarecem o financiamento das empresas, o que pode reduzir lucros e pressionar avaliações.

No caso do BTC, o ponto central é o custo de oportunidade — ou seja, o que o investidor deixa de ganhar ao escolher um ativo em vez de outro. O Bitcoin era negociado perto de US$ 77.800 (aprox. R$ 436 mil) e tinha leve alta no dia, mas ativos que não pagam rendimento ficam sob mais pressão quando títulos públicos oferecem retorno maior.

Para quem acompanha cripto no Brasil, o movimento dos juros americanos ajuda a explicar por que o BTC pode oscilar mesmo sem uma notícia específica do setor.

O próximo teste vem do Fed, o banco central dos EUA. Operadores precificam chances elevadas de alta de juros na próxima reunião. Uma decisão sem alta, ou com tom mais brando, pode aliviar os rendimentos; uma elevação acompanhada de sinalização mais dura tende a aumentar a pressão sobre ações e Bitcoin.