A Justiça da Argentina apertou o cerco sobre o caso LIBRA. O juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi mandou congelar dezenas de carteiras de criptoativos e exigiu que seis exchanges internacionais entreguem registros de KYC (processo de identificação do cliente), logs de IP, histórico de transações e contas bancárias vinculadas.
A medida foi pedida em 14 de julho pelo promotor Eduardo Taiano, com base em um relatório da unidade de crimes cibernéticos da Polícia Federal argentina. Segundo a investigação, os recursos saíram das chamadas carteiras Team Libra e passaram por plataformas como Jup.ag, FixedFloat e deBridge Finance até chegar a grandes corretoras.
O que aconteceu: o bloqueio atinge contas na Binance, Bybit, OKX, CoinEx, FixedFloat e Bitfinex. Cada empresa terá de apresentar arquivos de abertura de conta, registros de conexão, movimentações, contas bancárias relacionadas e comunicações internas. Relatórios citam pelo menos 25 contas congeladas, embora a decisão mencione dezenas de carteiras.
Por que importa: o juiz afirmou que há plausibilidade na denúncia e risco de demora, o que justificaria manter os ativos bloqueados para evitar que sejam convertidos em dinheiro antes de um possível confisco. A decisão também descreve um suposto padrão deliberado de lavagem de dinheiro, com uso de “smurfing digital” ou estruturação, em que valores são fragmentados e distribuídos entre várias carteiras para dificultar o rastreamento.
Em 14 de fevereiro de 2025, o presidente Javier Milei divulgou no X o token LIBRA, criado na rede Solana, e depois apagou a publicação. De acordo com a denúncia, o preço saiu de US$ 0,01 e foi a quase US$ 5 antes de desabar em poucas horas. Um pequeno grupo de carteiras teria retirado cerca de US$ 100 milhões (aprox. R$ 580 milhões), enquanto mais de compradores ficaram no prejuízo.



