O KOSPI, principal índice acionário da Coreia do Sul, opera com queda de 44% em relação ao topo registrado em 19 de junho. O movimento veio depois de um rali forte em ações ligadas ao setor de memória e inteligência artificial, com perdas pesadas em nomes como SK Hynix e Samsung.

O que aconteceu: o Ministério das Finanças da Coreia do Sul anunciou uma série de medidas para tentar acalmar o mercado. Entre elas estão restrições a ETFs alavancados de uma única ação (fundos que ampliam ganhos e perdas de forma agressiva), aumento dos custos de negociação para conter excessos, exigência de negociação simulada como etapa educacional e ações de estabilização para momentos de emergência.

Em números: as ações da SK Hynix caíram 58% em relação ao topo histórico de junho. Os papéis da Samsung recuaram 49,5% no mesmo intervalo. Segundo analistas da The Kobeissi Letter, as duas empresas chegaram a representar 50% de todo o mercado acionário sul-coreano no mês passado, em um ambiente de alavancagem recorde.

A leitura desses analistas é que a correção pode provocar uma rotação de capital de volta para grandes empresas de tecnologia. Eles citaram movimentos parecidos em ações negociadas nos EUA, como Micron, que caiu 39,5% em 34 dias, e destacaram a Coinbase como a maior perdedora entre os exemplos apresentados, com baixa de 69% desde o topo histórico.

Para você, no Brasil, esse tipo de correção mostra como movimentos concentrados em tecnologia e IA podem mexer com o apetite global por risco, inclusive em ações e criptoativos.

A The Kobeissi Letter também ironizou a reação das autoridades, dizendo que ninguém tenta “estabilizar” o mercado quando ele está subindo, apenas quando está caindo. Na avaliação do grupo, medo e ganância seguem como os principais motores desses movimentos, e a disparada anterior foi alimentada por otimismo excessivo.