A Ledger enfrenta uma ação coletiva nos Estados Unidos com pedido de indenização de US$ 500 milhões (aprox. R$ 2,9 bilhões). O processo foi apresentado por Douglas Kim na última quinta-feira, 27, e relaciona dois episódios: o vazamento de dados de 2020, que atingiu 270 mil usuários, e o ataque ao Ledger Connect Kit em dezembro de 2023.
Segundo a ação, a empresa vendeu 7 milhões de carteiras de hardware. Os advogados argumentam que, se 3% dos clientes tiverem sido afetados, isso representaria 210 mil pessoas. A petição afirma que, se 10% desse grupo tiver perdido ao menos US$ 20 mil (aprox. R$ 116 mil) cada, o prejuízo chegaria a US$ 420 milhões (aprox. R$ 2,4 bilhões), sem contar juros e custos, o que sustentaria um valor total de US$ 500 milhões (aprox. R$ 2,9 bilhões).
No caso de Kim, a perda alegada é de cerca de US$ 2 milhões (aprox. R$ 11,6 milhões) no ataque de 2023. Na época, o CEO da Ledger disse que um ex-funcionário da empresa, que ainda tinha acesso ao desenvolvimento do projeto, caiu em um golpe de phishing (fraude para roubar dados por meio de mensagens ou páginas falsas). A ação também afirma que golpistas se passaram por representantes da Ledger e induziram a vítima a entregar sua frase-semente (sequência de palavras que dá acesso total à carteira).
A tese do processo é que os criminosos teriam encontrado a vítima a partir do vazamento de dados de 2020 e usado o ataque de 2023 como pretexto para aplicar o golpe. Até agora, a Ledger não se pronunciou publicamente sobre a ação. Embora a empresa seja francesa, o caso corre na Justiça dos EUA.
Para quem usa carteira de hardware no Brasil, o caso reforça um cuidado básico: a frase-semente não deve ser compartilhada com ninguém, mesmo em contatos que pareçam oficiais.




