Quarenta dias depois do fim da transição do MiCA, em 1º de julho de 2026, o mercado cripto licenciado da Europa ainda está longe de uma configuração definitiva. O registro da ESMA, atualizado em 12 de agosto, mostra 329 linhas de autorização, equivalentes a 324 empresas identificáveis. Na prática, só 21 delas têm permissão para operar ambientes de negociação.

O que aconteceu: a licença única do MiCA substituiu os registros nacionais e permite que uma empresa aprovada em um país do Espaço Econômico Europeu atenda outros mercados após notificação. Mesmo assim, a maior parte das autorizações ficou concentrada em atividades menos amplas. 218 empresas receberam aval para custódia (guarda de criptoativos para clientes), 203 para transferência, 181 para troca de cripto por moeda estatal e 168 para execução de ordens.

Por que importa: o total de licenças pode dar a impressão de um mercado mais aberto do que ele realmente é. Uma empresa pode oferecer negociação com ativos do próprio inventário sem ter autorização para operar uma plataforma em que compradores e vendedores negociam entre si. Segundo Vyara Savova, do European Ethereum Institute, a liquidez à vista na União Europeia tende a ficar concentrada em poucos nomes.

A transição do antigo modelo VASP para o MiCA elevou bastante a exigência regulatória. Além de regras contra lavagem de dinheiro, o novo regime cobra capital, governança, controles de custódia e resiliência operacional. Estimativas citadas na análise apontam custos iniciais entre €40 mil (aprox. R$ 252 mil) e €150 mil (aprox. R$ 945 mil) em assessoria jurídica, mais €20 mil (aprox. R$ 126 mil) a €80 mil (aprox. R$ 504 mil) em estrutura de compliance e outros €30 mil (aprox. R$ 189 mil) a €80 mil (aprox. R$ 504 mil) em tecnologia ligada à DORA. Os gastos anuais recorrentes podem chegar a (aprox. ) a (aprox. ).