A MSCI voltou a mirar empresas com grandes reservas em criptoativos e propôs excluir dos seus índices companhias consideradas “não operacionais”. Pela regra em consulta, a medida pode atingir a Strategy, maior empresa de tesouraria de Bitcoin (BTC) do mundo, e a Metaplanet, hoje a terceira maior.
O que aconteceu: em documento publicado na quinta-feira (13), a MSCI disse que quer tornar inelegíveis para os índices globais de mercado investível empresas que acumulam ativos não operacionais, geram pouco caixa com a atividade principal, têm desempenho mais ligado aos movimentos de mercado do que à receita do negócio e dependem de capital externo para crescer.
Em números: se o critério fosse aplicado com base na composição de maio de 2026 do índice MSCI ACWI IMI, três empresas seriam excluídas. Entre elas estariam Strategy e Metaplanet. A terceira citada é a Yellow Cake plc, companhia com exposição a urânio. Hoje, a Strategy mantém 840.447 bitcoins, avaliados em US$ 53 bilhões (aprox. R$ 307,4 bi), enquanto a Metaplanet detém 43.000 bitcoins, equivalentes a US$ 2,7 bilhões (aprox. R$ 15,7 bi).
A Strategy reagiu nas redes sociais em tom mais duro do que em episódios anteriores. A empresa afirmou que “ativos digitais são ativos” e que provedores de índices devem medir o mercado, não decidir quais ativos as empresas podem ter. Também disse que a proposta deixa a MSCI em desacordo com reguladores, mercados e seus próprios clientes, acrescentando que nem o Bitcoin nem a Strategy dependem da provedora de índices.
A disputa já vinha de 2025, quando a MSCI ameaçou retirar a Strategy por um critério que eliminaria empresas com mais de 50% do valor em Bitcoin ou outra criptomoeda. Na época, a companhia classificou o movimento como perseguição política. Em janeiro, a MSCI recuou e manteve a Strategy e outras empresas nos índices, mas avisou que faria uma nova consulta mais ampla.




