Mulheres estiveram em 67 dos 129 painéis do Blockchain.RIO 2026, o equivalente a cerca de 52% dos debates do evento. Ao longo dos dois dias do Main Event, elas passaram por todos os 11 palcos da programação. No público, foram 2.819 mulheres, ou 33,1% dos 8.505 participantes.
Entre os speakers, o evento reuniu 121 mulheres entre 522 especialistas, executivos, autoridades e lideranças, uma fatia de 23,2%. Em 2025, o Blockchain.RIO havia registrado 125 mulheres entre 584 speakers, o que correspondia a 21,4% do total. Mesmo com leve queda no número absoluto, a participação proporcional feminina avançou 1,8 ponto percentual na comparação anual.
A presença não ficou restrita a discussões sobre diversidade. Executivas e especialistas participaram de painéis sobre regulação de ativos digitais, tokenização (transformação de ativos em versões digitais negociáveis), stablecoins, infraestrutura blockchain, interoperabilidade e formação de profissionais para a economia on-chain (operações registradas em blockchain).
Para o leitor no Brasil, o dado chama atenção porque os debates passaram por temas que afetam o mercado local, como regulação, pagamentos e a convivência entre novas redes baseadas em blockchain e estruturas já consolidadas, como o Pix.
Entre os nomes citados pelo evento estão Marina Fuzeti Fagali, diretora do Juntos por Cripto, que defendeu um debate regulatório mais próximo da realidade dos mais de 29 milhões de brasileiros que usam essa tecnologia. “Limitar a regulação apenas à ótica do mercado financeiro traz o risco de sufocar a inovação em diversos outros setores da economia”, afirmou.
Também participaram Melanie Steiner, diretora de marketing para a América Latina da Ondo Finance, com foco na tokenização de ativos do mundo real, e Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais para América Latina e Caribe da Visa, em discussões sobre stablecoins e pagamentos transfronteiriços. Na frente de infraestrutura, Solange Gueiros, da Chainlink Labs, afirmou que a conexão entre blockchain e sistemas do mundo real por meio de oracles (ferramentas que levam dados externos para a blockchain) é peça central para a tecnologia operar em produção.




