Elon Musk voltou ao X com uma projeção ambiciosa: segundo ele, a SpaceX poderá valer mais do que “o restante da Terra” se alcançar suas metas de longo prazo. A fala não trata do valor atual da empresa, mas de uma aposta em uma economia baseada no espaço, com atividades como manufatura orbital, mineração de asteroides e colônias em Marte.
Musk já vinha defendendo essa tese desde janeiro de 2026, quando disse que as indústrias espaciais poderiam superar com folga o valor gerado na Terra. Na visão dele, a energia solar seria a base dessa expansão. O argumento parte da ideia de que a humanidade poderia capturar cerca de 100 mil vezes mais energia solar do que consome hoje, usando menos de um milionésimo da energia produzida pelo Sol em todo o sistema solar.
Hoje, os números do mercado ainda contam uma história mais contida. A SpaceX negocia perto de US$ 153 por ação e tem valor de mercado próximo de US$ 2 trilhões, segundo dados citados da TradingView. Isso representa uma queda de cerca de 32% em relação à máxima histórica de US$ 225, registrada em junho. Analistas e operadores acompanham de perto a faixa de suporte entre US$ 145 e US$ 150, enquanto parte do mercado especula uma recuperação no curto prazo.
A discussão também ganhou um componente estratégico. O JPMorgan considerou uma eventual fusão entre SpaceX e Tesla como algo “estrategicamente coerente”, citando sinergias em inteligência artificial, robótica, energia e transporte. Ao mesmo tempo, o banco apontou entraves regulatórios relevantes, especialmente na China, além de dúvidas sobre prazo, custo e execução da visão interplanetária defendida por Musk.
Para o leitor brasileiro, o caso serve mais como termômetro de apetite global por tecnologia de alto risco do que como referência prática de investimento: a tese depende de décadas de execução e enfrenta forte volatilidade.




