A NoxPay quer usar stablecoins como infraestrutura de pagamentos para empresas que vendem, contratam e pagam fornecedores em vários países. A ideia é simples: o cliente paga em reais pelo Pix, e a empresa recebedora recebe em moeda digital como USDT, sem passar por corretora nem fazer conversão manual.

O que aconteceu: o principal produto da fintech é o CrossRamp, descrito pela empresa como um “Pix global”. Na prática, o pagamento continua familiar para o usuário final, com leitura de QR Code Pix no app do banco. A conversão para cripto acontece dentro do fluxo da plataforma, e o valor chega na carteira da empresa recebedora.

Para quem é: a proposta atende três frentes: empresas estrangeiras sem CNPJ no Brasil, negócios brasileiros que pagam ou recebem do exterior e fornecedores do setor de viagens. Segundo a empresa, esses grupos enfrentam barreiras como câmbio caro, burocracia, exigências de compliance e dificuldade para acessar contas locais.

Para o leitor brasileiro, o ponto central é este: a promessa é manter a experiência do Pix na entrada do dinheiro e usar stablecoins na liquidação internacional, numa tentativa de reduzir atritos em pagamentos entre países.

A integração para empresas é feita por API (interface que conecta sistemas diferentes). A plataforma permite escolher entre USDT, USDC e Bitcoin, definir a rede, dividir taxas, personalizar o checkout e acompanhar métricas como taxa de conversão e trilha de auditoria. A NoxPay também diz incluir recursos de KYC (verificação de identidade do cliente), prova de vida no checkout, monitoramento antifraude e gestão da Travel Rule (regra que exige compartilhamento de dados de origem e destino em transferências de cripto).

A fintech liga essa estratégia ao avanço da regulação no Brasil. As Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central passaram a valer em e criaram o regime de autorização para as , empresas que intermediam, custodiam ou negociam cripto. Quem já operava no país deve pedir autorização ao até . Ao mesmo tempo, a Resolução determinou, a partir de , que prestadores de não podem usar stablecoins ou cripto na liquidação de operações de câmbio entre fronteiras. Segundo a empresa, a NoxPay está posicionada no lado licenciado desse mercado.