O peso argentino seguiu em queda após atingir uma mínima histórica frente ao dólar no fim de semana. Nesta terça-feira (14), a moeda era cotada a US$ 0,00067 no mercado, o que significa que 1.000 pesos compravam cerca de US$ 0,67 (aprox. R$ 3,90).
O que aconteceu: Desde domingo (12), quando a mínima recorde foi registrada, o peso acumulou perda adicional de cerca de 1,7% frente ao dólar. Desde 2009, a desvalorização chega a 99,8%. Em 2010, um peso valia cerca de US$ 0,33 (aprox. R$ 1,91); agora, não compra nem um milésimo de dólar.
Por que importa: No câmbio oficial, houve recuperação de 0,33% nesta terça, segundo o El Cronista. No mercado paralelo, o chamado dólar blue, o movimento foi inverso: o peso perdeu quase 1% no dia, de acordo com o La Nación. Nas cotações financeiras, usadas por empresas e investidores para mandar recursos ao exterior, a moeda argentina vale ainda menos do que no mercado oficial.
A queda prolongada reflete anos de emissão monetária para cobrir déficits fiscais, além de controles cambiais e perda de reservas internacionais. O governo de Javier Milei, iniciado em dezembro de 2023, cortou gastos públicos, eliminou subsídios e promoveu uma desvalorização inicial. A inflação mensal saiu de níveis hiperinflacionários para patamares mais controlados, mas a moeda continuou pressionada pela diferença entre inflação e câmbio. Nos últimos dias, a alta do petróleo e a piora das tensões no Oriente Médio também pesaram sobre os ativos argentinos, segundo o La Nación.
Em números: As stablecoins (criptomoedas pareadas a moedas tradicionais, como o dólar) já representam 71% das compras de cripto na Argentina, segundo a Bitso. O USDT sozinho respondeu por 57% de todas as compras no país. A plataforma também identificou picos de negociação nos dias seguintes ao pagamento de salários: muitos argentinos recebem em pesos e rapidamente trocam o valor por dólar digital.




