O projeto H.R. 8957, chamado American Reserve Modernization Act, leva ao Congresso dos Estados Unidos uma proposta que ganhou tração após ser defendida pelo brasileiro João Paulo Mayall: reavaliar as reservas de ouro do Tesouro a preço de mercado e usar a diferença contábil para comprar Bitcoin sem emitir dívida nova.
O texto vai a markup — etapa de análise e possíveis alterações em comitê — no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara nesta quarta-feira (16). O projeto foi apresentado em 21 de maio de 2026 pelo deputado Nick Begich (R-AK), com Jared Golden (D-ME) como coautor e mais de 20 apoiadores.
A proposta não libera uma compra direta de BTC. A Seção 9 determina um estudo de 180 dias sobre caminhos “budget neutral”, ou seja, sem nova dívida, novo imposto ou gasto deficitário, para ampliar a reserva. Entre as alternativas está a remarcação dos certificados de ouro do Tesouro: os EUA registram 261.498.926 onças troy finas, cerca de 8.133 toneladas, a US$ 42,22 por onça (aprox. R$ 232), valor estatutário definido em 1973.
Pelo balanço atual, esse ouro soma pouco mais de US$ 11 bilhões (aprox. R$ 60,5 bilhões). Com o metal perto de US$ 4.280 por onça (aprox. R$ 23,5 mil), o estoque valeria cerca de US$ 1,12 trilhão (aprox. R$ 6,16 trilhões). Essa diferença é o ponto central da tese: transformar o ganho contábil da reavaliação em uma fonte para aquisição de Bitcoin sem aumento formal de gasto.
Para o leitor no Brasil, o caso chama atenção por envolver João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, em uma discussão que agora entrou no texto legislativo dos EUA.
Outro trecho do projeto trata de transparência. A Seção 6 exigiria que o Tesouro publicasse, a cada trimestre, o total de sob custódia (guarda dos ativos), as transações, uma demonstração de controle das chaves privadas (as credenciais que permitem movimentar os criptoativos) e uma atestação criptográfica pública, verificada por auditor independente. O revisaria a reserva, os relatórios e a auditoria.




