Os projetos ASF Control e Bee ReFi começaram a operar no Brasil com uma proposta voltada à preservação das abelhas nativas sem ferrão e ao uso de ferramentas da Web3. A iniciativa mira a meliponicultura, atividade ligada à criação e manejo dessas espécies, e tenta organizar dados do setor com mais rastreabilidade.

O que aconteceu: O ASF Control funciona como um sistema gratuito de gestão para meliponicultores. Nele, o produtor registra manejos e acompanha informações da criação de forma digital. Segundo Jerry de Souza, fundador e especialista em criação de abelhas nativas, a ferramenta opera como um PWA (aplicativo que pode ser instalado no celular e usado com consulta rápida até offline), o que permite acesso mesmo sem sinal de internet no meliponário.

Como funciona: Depois do registro, os dados são gravados em blockchain (tecnologia de registro digital que dificulta alterações posteriores) para reforçar a segurança e a imutabilidade privada das informações. A proposta é melhorar o histórico dos dados e a rastreabilidade da produção.

Em números: Dados de 2026 divulgados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) indicam que apicultura e meliponicultura já geram 350 mil empregos diretos e indiretos no Brasil. Desde a criação da Rota do Mel, em 2014, o governo federal investiu R$ 15,7 milhões na estruturação da cadeia em 13 estados. As ações alcançaram mais de 3,3 mil produtores, com produção de cerca de 24,1 mil toneladas anuais de mel e derivados.

Para o Brasil, a iniciativa junta tecnologia e uma atividade já ligada à agricultura familiar, à preservação ambiental e à geração de renda no meio rural.

O Bee ReFi atua em outra ponta. O projeto é descrito como uma iniciativa para criar novos mecanismos de geração de valor para a biodiversidade. Em vez de operar a base do sistema, ele usa os dados auditáveis produzidos pelo para conectar a meliponicultura a oportunidades globais.