A Rússia elevou o tom contra Pavel Durov na quarta-feira, 29 de julho, ao acusar o fundador do Telegram de auxiliar atividades terroristas. O FSB, principal agência de inteligência do país, também incluiu o empresário em uma lista internacional de procurados. Até o momento, nem Durov nem o Telegram haviam se manifestado sobre a nova acusação.

O que aconteceu: segundo o FSB, canais, chats e bots do Telegram teriam sido usados por agências de inteligência ucranianas para organizar sabotagens, homicídios e fraudes digitais dentro da Rússia. O órgão afirma que houve mortes, incluindo mulheres e crianças, e prejuízos de bilhões. A denúncia foi enquadrada no artigo 205.1 do Código Penal russo, que trata de auxílio ao terrorismo e prevê pena de até 15 anos de prisão. O serviço de segurança, porém, não apresentou provas públicas das acusações.

Por que importa: o timing chama atenção. Na segunda-feira, 27 de julho, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou seguia em diálogo com o Telegram sobre a reativação do aplicativo, embora tenha reclamado da falta de interesse da empresa. Dois dias depois, o governo avançou para uma acusação criminal contra o dono da plataforma. O caso reforça a disputa entre o Estado russo e o aplicativo, usado por cerca de 90 milhões de pessoas no país.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra como governos vêm pressionando plataformas de mensagens por moderação de conteúdo, criptografia e cooperação em investigações, um debate que também aparece no Brasil.

Em números: Durov afirmou anteriormente que 65 milhões de usuários continuam acessando o Telegram diariamente na Rússia, com bloqueio ou sem bloqueio. A chamada “lista internacional de procurados” mencionada por Moscou também tem alcance limitado: ela não equivale, por si só, a um alerta da Interpol, que ainda não anunciou nenhuma medida. A eventual publicação de uma notificação depende de pedido formal e de análise própria da organização.

Durov também enfrenta um processo na França. Três semanas antes da acusação russa, ele foi ouvido por investigadores franceses em Paris por mais de seis horas, no quarto depoimento desde que foi indiciado em . Segundo os advogados dele, ainda não há provas que sustentem as acusações no caso francês. No mercado, a reação foi contida: o caiu quase após a notícia e segue abaixo do pico registrado em .