As stablecoins já concentram a maior parte das operações de criptomoedas declaradas no país, segundo a Receita Federal. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram informados R$ 1,58 trilhão em transações, dos quais 71,7% — o equivalente a R$ 1,13 trilhão — vieram dessas moedas digitais pareadas a outros ativos.

O que aconteceu: a participação das stablecoins saiu de 3,5% em 2019 para 79,7% em 2022. Em 2023, chegou a 91,5%, com pico mensal de 94,3% em julho de 2023. Depois, essa fatia recuou em alguns momentos de 2024 e 2025, com estabilização entre 76% e 80%, em meio à valorização de outras criptomoedas.

Em números: a USDT lidera com folga esse mercado no Brasil e concentra cerca de 90% do volume de stablecoins, o que corresponde a aproximadamente R$ 1,0 trilhão no período analisado. Na sequência aparecem USDC, com 7,1%, e BRZ, moeda atrelada ao real, com 3,4%. Dados do MercadoCripto reforçam essa dominância: nas últimas 24 horas, 94,75% do volume negociado no mercado brasileiro estava em USDT e USDC, enquanto o Bitcoin (BTC) ficou com 2,2%.

Por que importa: o número de operações também disparou. A Receita registrou 185,7 milhões de compras e vendas de stablecoins no período, praticamente saindo do zero em 2019. Segundo o órgão, a atividade ganhou força a partir de 2024, e o recorde de operações ocorreu em novembro daquele ano.

Para o leitor brasileiro, o dado mostra que o mercado local de cripto está cada vez mais concentrado em moedas digitais ligadas ao dólar e ao real, com impacto direto na fiscalização tributária.