A regulamentação dos ativos virtuais deve levar o mercado cripto brasileiro para uma fase mais institucional e integrada ao Sistema Financeiro Nacional. Segundo relatório da CertiK, as empresas terão de comprovar controles de segurança, governança, segregação de ativos e prevenção à lavagem de dinheiro.

O que aconteceu: Os prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs), como corretoras e plataformas de negociação, terão até 30 de outubro de 2026 para apresentar pedidos de autorização ao Banco Central, acompanhados de uma certificação independente de conformidade.

Em números: O relatório estima que o mercado movimenta mais de US$ 300 bilhões por ano (aprox. R$ 1,74 trilhão). Entre 2019 e 2025, os brasileiros movimentaram cerca de R$ 1,58 trilhão em criptoativos, dos quais aproximadamente R$ 1,13 trilhão foram negociados em stablecoins, ativos digitais que buscam manter paridade com moedas como o dólar.

A participação das stablecoins no volume declarado passou de 3,5% em 2019 para mais de 80% desde 2023. Para a CertiK, esse crescimento ajuda a explicar a atuação central do Banco Central em temas como câmbio, pagamentos B2B e liquidações internacionais.

Para o usuário brasileiro, a mudança pode aumentar a cobrança por transparência, controles e proteção dos ativos mantidos em plataformas locais.

As exigências também podem mudar a estrutura do setor. Cerca de 120 prestadores deverão cumprir requisitos de capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, o que pode estimular fusões e aquisições, compra de empresas já autorizadas e modelos de Crypto-as-a-Service, nos quais fintechs usam a infraestrutura e a licença de uma PSAV regulada. A CertiK avalia ainda que compliance (conformidade com regras e controles), segurança e gestão de riscos passarão a ser atividades permanentes, e não projetos pontuais.