Entre 100 e 150 exchanges e custodiantes atuam de forma ativa no Brasil, segundo estimativa da Coopfy. Parte dessas empresas pode deixar o mercado caso não consiga protocolar o pedido de autorização no Banco Central até 30 de outubro.

A exigência marca a transição de um setor que operava sem autorização específica para um regime com regras de governança, capacidade financeira, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética. O compliance (conjunto de controles para cumprir as normas) também precisa acompanhar cada transação e manter registros que comprovem as decisões tomadas.

Para o usuário no Brasil, a mudança pode reduzir o número de plataformas disponíveis e concentrar operações em empresas com estrutura suficiente para cumprir as regras do BCB.

As empresas menores tendem a sentir mais o impacto, porque manter controles no padrão do sistema financeiro exige um investimento mínimo difícil de diluir. A Coopfy prevê espaço para fusões e aquisições, já que uma estrutura de controles capaz de sustentar a autorização pode pesar tanto quanto a base de clientes de uma plataforma.

A Resolução 584 do Banco Central também prevê mudanças contra fraudes a partir de 1º de janeiro de 2027. Transferências acima de US$ 10 mil (aprox. R$ 58 mil) para carteiras autocustodiadas, nas quais o próprio usuário mantém as chaves de acesso, ou para plataformas no exterior poderão ficar retidas por até 24 horas para análise de risco. A decisão caberá à instituição responsável pela operação, e não diretamente ao Banco Central.