A renda fixa continua no centro das carteiras recomendadas para agosto pelo Banco Safra. Segundo o relatório mensal de alocação publicado na segunda-feira (3), a combinação de inflação em queda, chance de novos cortes na Selic e volatilidade no exterior sustenta uma postura mais defensiva.
Por que importa: a Selic, hoje em 14,25% ao ano após o corte de junho, influencia o retorno de aplicações como títulos públicos e CDBs. Com a expectativa de nova redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, o banco vê espaço para manter a renda fixa como principal posição, inclusive entre perfis com mais apetite a risco.
Em números: no perfil ultraconservador, a alocação sugerida é de 100% em renda fixa. No conservador, a fatia é de 76%, com 8% no exterior, 7% em multimercado, 5% em renda variável local e 4% em alternativos. No moderado, a divisão fica em 53% de renda fixa, 16% internacional, 14% em multimercado, 10% em ações locais e 7% em alternativos. Já o dinâmico concentra 35% em renda fixa, 26% no exterior, 17% em renda variável local, 12% em multimercado e 10% em alternativos.
No exterior, o banco vê poucos motivos para aumentar risco. Em julho, o petróleo Brent subiu mais de 24% com a piora das tensões no Oriente Médio, o que reacendeu preocupações com a inflação global. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião seguida, com divergência interna sobre a necessidade de uma nova alta.
Para o leitor brasileiro, isso ajuda a explicar por que aplicações de renda fixa ainda seguem competitivas mesmo com a perspectiva de queda da Selic: os juros continuam altos, enquanto o cenário externo e o risco fiscal no país mantêm a busca por proteção.
A bolsa brasileira avançou 3,47% em julho, mas o movimento veio acompanhado de oscilação forte ao longo do mês. O Ibovespa encerrou o período perto de 178 mil pontos, com apoio das ações de energia, enquanto bancos e outros papéis relevantes do índice sofreram mais pressão. Para o Safra, o mercado ainda deve prestar mais atenção ao risco eleitoral no segundo semestre, à medida que propostas econômicas e candidaturas avancem.




