A Ripple terminou o primeiro trimestre de 2026 com indicadores corporativos robustos: a receita da área de prime brokerage triplicou, a empresa alcançou avaliação de US$ 50 bilhões e o volume total de pagamentos processados superou US$ 100 bilhões. No mesmo intervalo, porém, o XRP caiu 23,7%, sendo negociado perto de US$ 1,34, o que ampliou o debate sobre a real conexão entre o crescimento da companhia e a valorização do token.
O ponto central é que o XRP não representa participação acionária na Ripple. A empresa, avaliada em US$ 50 bilhões após uma recompra de ações de US$ 750 milhões em março de 2026, concentra esse ganho de valor em sua própria estrutura societária. Segundo os dados apresentados, a receita gerada pela Ripple Prime, fortalecida pela aquisição da Hidden Road por US$ 1,25 bilhão, permanece no balanço da companhia e beneficia seus acionistas, sem repasse direto para quem mantém XRP.
Fatores que pesam sobre o token
Entre os elementos citados para explicar a pressão sobre o XRP, estão:
- o avanço da RLUSD, stablecoin da Ripple lançada em dezembro de 2024, que já alcançou US$ 1,56 bilhão em valor de mercado;
- a liberação prevista de 1 bilhão de XRP do escrow em abril de 2026, ainda que historicamente entre 60% e 80% desse volume volte a ser bloqueado;
- a leitura de que investidores institucionais podem usar a infraestrutura da Ripple sem necessariamente precisar manter XRP.
A pesquisa da própria Ripple com mais de 1.000 líderes financeiros, divulgada em 2026, mostra que 74% já usam stablecoins para gestão de fluxo de caixa. Nesse contexto, soluções como GTreasury, Hidden Road e RLUSD reforçam a adoção da infraestrutura da empresa, mas não garantem demanda automática pelo token.
Para o leitor brasileiro, o caso reforça que comprar um criptoativo como XRP não equivale a ter participação na empresa ligada ao seu ecossistema. Na prática, são exposições diferentes, com riscos e dinâmicas próprias.



