Michael Saylor afirmou na terça-feira que o Bitcoin “venceu”, mas disse que o maior risco agora está dentro da própria comunidade. A fala veio num momento em que a Strategy acumula cinco semanas seguidas sem comprar BTC e mantém US$ 3,75 bilhões (aprox. R$ 21,8 bi) em caixa.

O que aconteceu: Saylor criticou a BIP-110, proposta de soft fork (mudança compatível nas regras da rede) que limitaria campos arbitrários de dados em transações do Bitcoin. Segundo ele, mexer nas regras de consenso do protocolo ameaça pontos centrais como propriedade, escassez e liquidação.

Por que importa: na leitura de Saylor, a proposta censura transações válidas que pagam taxa, amplia a superfície de ataque com covenants (restrições programadas sobre como moedas podem ser gastas) e, ao aumentar blocos, reduz a escassez do espaço e encarece a validação. Do outro lado, apoiadores da medida dizem que o armazenamento arbitrário de dados aumenta o trabalho de operadores de nós e atrapalha pagamentos.

Adam Back, CEO da Blockstream, também se colocou contra a proposta, embora por outro motivo: o risco de fork (divisão da rede em versões diferentes) ligado ao novo limite de ativação de 55%. A sinalização dos mineradores para a BIP-110 começou em 1º de dezembro de 2025, e o cronograma prevê um período obrigatório de lock-in (fase em que a ativação fica travada) em agosto de 2026, com ativação duas semanas depois.

Em números: a pausa da Strategy nas compras ocorre enquanto a empresa reforça a liquidez. Um formulário 8-K protocolado em 27 de julho confirmou a adição de US$ 525 milhões (aprox. R$ 3,0 bi) à reserva em dólar, levando o total a US$ 3,75 bilhões (aprox. R$ 21,8 bi). O dinheiro veio da venda de ações, não da venda de Bitcoin. Só na semana passada, a companhia vendeu US$ 544,5 milhões (aprox. R$ 3,2 bi) em ações . Nas duas semanas anteriores, captou cerca de (aprox. ) e (aprox. ), somando (aprox. ) em três semanas.