O CLARITY Act tem cerca de 48 horas para chegar ao plenário do Senado dos Estados Unidos antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 10 de agosto. O líder da maioria, John Thune, ainda não protocolou a moção de encerramento, etapa necessária para iniciar uma votação.

O que está em jogo: O Digital Asset Market Clarity Act propõe dividir a supervisão das criptomoedas. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) ficaria responsável pela maioria dos tokens, enquanto a Securities and Exchange Commission (SEC) manteria a autoridade sobre os demais.

O caminho até agora: A Câmara aprovou o projeto por 294 votos a 134 em julho de 2025. No Senado, o Comitê Bancário encaminhou a proposta por 15 a 9 em 14 de maio. O principal desafio agora é reunir 60 votos para avançar.

O impasse: Democratas querem limites mais rígidos para autoridades federais que promovem ativos digitais e, segundo o Punchbowl News, condicionam o apoio à moção a uma iniciativa da Casa Branca. A senadora Cynthia Lummis afirma que as negociações, que já duram 11 meses, não avançaram; o senador Ruben Gallego diz que falta interação do outro lado.

Uma eventual derrota na moção não necessariamente encerra o projeto. A GENIUS Act, lei sobre stablecoins (criptomoedas projetadas para manter valor estável), perdeu uma votação inicial por 48 a 49 em maio de 2025, mas foi aprovada cinco semanas depois por 68 a 30 e virou lei em julho. O calendário do CLARITY Act, porém, é mais apertado: o Senado só retorna em 14 de setembro e interrompe os trabalhos novamente em 5 de outubro, deixando cerca de três semanas úteis.

Para o mercado brasileiro, o debate acompanha uma possível mudança nas regras que orientam a atuação das principais agências reguladoras dos Estados Unidos, referência para investidores e empresas de criptoativos no mundo todo.